O que é Futurar — Beia Carvalho — Palestras

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6 de julho de 2016

O que é Futurar?

Ponte do Brooklyn, New York

Em 2013, o chefe da Agência de Marketing de Turismo da cidade de New York, Fred Dixon, anunciou que os 55 milhões de turistas que visitaram a cidade ainda não bastavam: “tem mais gente visitando, mas gastando menos”.

Neste mesmo ano, recebemos em todo o Brasil, cerca de 6 milhões de turistas. Ou seja, 10% do total de visitantes de uma única cidade foram para todas as nossas praias do Oiapoque ao Chuí, para os Carnavais da Bahia, Olinda, Rio de Janeiro, para o turismo da floresta amazônica, do Pantanal, Foz do Iguaçu, Chapadas, Cânions, Brasília. Também estão incluídos nos míseros 10% todas as viagens para São Paulo e todos os outros destinos de negócios do Brasil.

Rio de Janeiro

Se compararmos a Big Apple com a Cidade Maravilhosa (o destino brasileiro que mais recebe turistas), essa desigualdade é mais acachapante: 55.000.000 contra míseros 1.800.000 turistas que visitaram o Rio de Janeiro (3,5%).

2013 é o 4º ano seguido que a cidade de New York bate recordes em número de visitantes. Lá não teve Copa, nem vai ter Olimpíada. Mas teve um dos ataques terroristas mais espetaculares e mortais que conhecemos, afastando turistas de toda o planeta e mergulhando a cidade e o mundo em profundo estado de choque.

Futurar para Sair das Trevas

Ataque às Torres Gêmeas, 2001

Em 2006, 5 anos depois do ataque às Torres Gêmeas, o prefeito Bloomberg definiu a ousada meta de 50 milhões de visitantes anuais para dali 10 anos, 2015. Um aumento de 15%, ou o equivalente a 6 milhões a mais de turistas. Olha só que ironia, a meta era aumentar um Brasil inteiro de turistas só numa cidade! Audacioso? O resultado foi alcançado 4 anos antes! O que fez então o prefeito? Não só aumentou a meta para 55 milhões de visitantes como apostou num aumento espetacular do impacto do turismo na economia: chegar em $70 bilhões anuais, em 2015.

O boom do turismo e os impostos que advém da atividade, foi um dos maiores sucessos da administração do então prefeito Michael Bloomberg, que estabeleceu metas audaciosas uma após as outras.

A NYC & Company – Agência de Marketing de Turismo da cidade de New York – estima que cada dólar que o visitante gasta, se traduz em aproximadamente US $1,50 em atividade econômica, na repetida troca de mãos do dinheiro de um comerciante a outro, num vai e vem sem parar.

Os nativos de New Yorker estão sempre reclamando das calçadas entupidas e restaurantes monopolizados por turistas, mas Dixon, um imigrante, afirma que a cidade vai se beneficia de mais e mais turistas. O setor de Lazer e Hospitalidade da economia, liderado pelos restaurantes e bares, empregou mais e com mais velocidade que qualquer outro setor desde a recessão, segundo as estatísticas do Ministério do Trabalho americano.

Fred Dixon, chefe da Agência de Marketing de Turismo da cidade de New York

“nossa cidade não seria tão robusta e vibrante se não fosse pelos milhões que nossos visitantes gastam”

La Vara restaurante, Brooklyn

E todo esse dinheiro está se distanciando cada vez mais dos centros turísticos como a Times Square. Os turistas estão “explorando cada cantinho da cidade”. O efeito cascata fica claro. É só ver a lista de hotéis que abriram nos últimos anos em lugares como Williamsburg, no Brooklyn, cidade de Long Island, no Queens e Pelham Bay, no Bronx. Em 2014, o número de quartos de New York superou a casa dos 100.000.

Apesar de toda a construção e da proliferação de serviços não regulamentados, como o Airbnb, os preços não só não caíram, como chegaram a subir cerca de 2%. A posição do atual prefeito Bill de Blasio sobre a oposição da hotelaria ao Airbnb, é que se o serviço é considerado legal e regulado pode ajudar a aumentar a demanda pelas “viagens de experiência”.

“As pessoas querem experimentar outros bairros e viver como os locais,” diz Dixon. É por isso que a Agência de Marketing de Turismo dedicou recursos substanciais para promover áreas distantes dos famosos holofotes da cidade, como Tompkinsville, em Staten Island ou Gowanus, no Brooklyn.

Esse esforço é um dos favoritos do prefeito de Blasio, que confessou: “Sabe, fico arrepiado quando vejo os ônibus turísticos indo para o Brooklyn!”.

Brooklyn, New York

E qual é a manchete em 2016?

 

Nada mais, nada menos que o 6º recorde seguido em número de turistas, em Nova York. Se você não se lembra do 5º parágrafo, o então prefeito Bloomberg futurou uma ousada meta de 55 milhões de turistas para dali 10 anos. Errou! Foram 58,3 milhões! Desses, 80% são de americanos. E quase 1 milhão são de brasileiros! Para comemorar o feito, o prefeito declarou: “New York é a mais segura e vibrante cidade das Américas!”.

Fred Dixon ainda está à frente da Agência de Marketing de Turismo da cidade de New York. Pra mim, isso diz muito sobre o sucesso de uma política de branding da cidade, que não está presa a partidos políticos, não é refém de politicagem e acima de tudo está nas mãos de competentes e não de eventuais politiqueiros de quinta categoria.

Os desafios do todo poderoso Dixon tem a ver com o empobrecimento dos brasileiros e com assegurar ao mundo que, apesar dos crescentes ataques terroristas às grandes cidades mundiais, New York é um lugar equipado e seguro.

Jogos Olímpicos 2016, Rio de Janeiro, daqui 30 dias.

O grande evento da Copa do Mundo, com o Brasil bombando em 2014, atraiu 600 mil turistas de 186 países, apenas 10% a mais que em 2013.

Estamos a 30 dias para o início dos Jogos Olímpicos. Quebrados. Desempregados. Mal ajambrados. Inadimplentes. Falta papel pra passaporte. Faltam tornozeleiras eletrônicas para corruptos. Não tivemos uma visão, nem meta, nem líder. Não futuramos.

Gugue “olimpíada 2016 visitantes”, ou “expectativa de turistas jogos olímpicos 2016”, você não vai acreditar! Selecionando apenas os meios mais críveis como Estadão, jornais esportivos ou o portal do governo, você encontrará números que variam de 350.000 turistas à manchete da Gazeta do Povo: “Rio vai receber 2,3 milhões de pessoas nos Jogos Olímpicos e Paraolímpicos”.

Daqui 2 meses, a gente atualiza o post

Atualizado: Rio recebeu 1,17 milhão de turistas na Olimpíada; 410 mil são do exterior 

Na mira do Cristo

NOTAS:
1) Matéria original do The New York Times publicada em 7 de julho de 2014, “For Head of New York Tourism, 55 Million Visitors Isn’t Enough”, link aqui: http://nyti.ms/29ehhD5, por By PATRICK McGEEHAN RICHARD PERRY / THE NEW YORK TIMES

2) Matéria original da Folha de S.Paulo, “Número de turistas em Nova York bate recorde pelo 6º ano seguido”, publicada 22/02/2016. Link aqui: bit.ly/29lWLzg

3) Count down para as Olimpíadas: http://www.theolympicgamescountdown.com/br/index.html

4) Milhões de turistas que visitaram New York: 2006: 44,0 milhões
2011: 50,0 milhões
2013: 55,0 milhões
2015: 58,3 milhões


Comentários


  1. "Não tivemos uma visão, nem metas"... Foi gênio! Béia foda! (Para não ficar redundante!)

    30 de setembro de 2016, 14:41
    By: Samara Sieber


    1. Que bom que você gostou, Samara! Eu também gosto muito deste post. É um tapa na cara!

      30 de setembro de 2016, 14:44
      By: beia


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