Joan Didion, desculpa a ignorância. — Beia Carvalho — Palestras

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5 de novembro de 2017

Joan Didion, desculpa a ignorância.

Joan Didion: Jornalista, ensaísta, dramaturga, roteirista e romancista.

Nunca tinha ouvido falar de Joan Didion. É new releases do Netflix. Cliquei. Fiquei paralisada durante todo o filme, o que não me imunizou de levar alguns fortes choques entre uma década e outra do documentário. Como aquele da criança de 5 anos, não, não vou dar spoil, porque nem sei se você vai conseguir chegar até lá. Ao final, tomei uma atitude. Dei replay. Nunca ouvi falar e já é um dos melhores filmes da minha vida.

Joan: Você tem uma cobra?

Entrevistador: Não. Eu pego um ancinho e mato.

Joan: Matar uma cobra, é o mesmo que ter uma cobra.

Começa assim. POW! É o primeiro diálogo.

A primeira cena bumba lá dentro da alma de quem viveu os 1970 de alguma forma. Surge o bondinho de San Francisco ao som de Fight Again. Haight-Ashbury, sexo, drogas, rock’n’roll, paz, amor, comunidades, hippies. Assim como o baile funk da primeira cena de Tropa de Elite.

Revemos o Flower Power, passamos por suas festas com todo mundo que um dia virou alguém: Warren Beatty (louco por ela),  Spielberg, Janis Joplin. E o jovem Harrison Ford, um carpinteiro que fazia umas reforminhas pela casa – lembrando um pouco The Factory, de Andy Warhol.

Natalie Wood, morta aos 43 anos

Joan Didion estava na piscina, quando a exuberante Natalie Wood ligou sobre a tragédia que dramaticamente encerrou os anos 1960. Sharon Tate, grávida de 9 meses, mulher do cineasta Polanski, tinha sido assassinada junto com mais 5 pessoas, num ato macabro pelo demente Charles Manson e seu bando.

Atriz Sharon Tate, assassinada aos 26 anos

Quando ela começa a descrever Haight-Ashbury, em 1967, parece estar falando dos tempos em que vivemos, quando o centro não se sustenta. Título deste documentário realizado por seu sobrinho. Joan Didion: The Center Will Not Hold. Crianças descontentes, crianças desaparecidas. Pais desaparecidos. Um país em falência. Banalização dos assassinatos. Adolescentes rastejam entre o passado e o futuro como cobras trocando de pele. Crianças que nunca foram ensinadas e nunca aprenderão as regras que mantém a sociedade unida.

Íntimo e Pessoal, Robert Redford e Michelle Pfeiffer, 1996.

Joan era louca por coca-cola gelada. Louca pelos The Doors. Por que? Bad boys. Foi Vogue. Roteirizou Íntimo e Pessoal, Nasce uma Estrela e Os Viciados. Foi condecorada por Obama com a Medalha Nacional das Artes e a Medalha Nacional de Humanidades.

Ela tem 83 anos, a idade de minha mãe. Jornalista, ensaísta, dramaturga, roteirista e romancista. Foi casada com o romancista John Gregory Dunne, por 39 anos. Uma filha adotiva.

Ela escreveu sobre viver, perder e viver. Me fez lembrar de minha mãe, porque como ela não tem religião e isso faz do relato algo muito mais apurado. Vou ler algum de seus livros Não sabia, mas já gostava de alguns de seus filmes. E agora entendo melhor ainda Íntimo e Pessoal.

Joan Didion, aos 80, como Star Model da campanha de marca francesa Céline.