Futuro das Câmeras — Beia Carvalho — Palestras

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9 de março de 2018

Futuro das Câmeras

A Câmera Clips e seus acessórios

Traduzi este artigo do New York Times, que termina com uma afirmação daquelas de arrepiar você inteiro, não só o cabelo!

As câmeras inteligentes não irão apenas observar você – elas também vão te entender.

Quem é que vai querer ou precisar de uma Câmera que “pensa”?

Parece que o mercado tem muito mais gente que quer saber tudo o que está acontecendo em suas casas, enquanto estão fora ralando no trabalho.

Leia esse relato do jornalista Farhad Manjoo, ele mesmo um louco por registrar tudo que se passa com sua família. Ele fez um “test-drive” com 2 destas super novas câmeras com Inteligência Artificial. A Clips, da Google e a Lighthouse. Boa leitura.

O Sublime e Assustador Futuro das Câmeras Com Inteligência Artificial

O tripé da Clips da marca Incipio

Uma nova geração de câmeras, como a Google’s Clips, pode entender o que elas veem, criando possibilidades intrigantes e, algumas vezes, inquietantes.

Alguma coisa estranha, assustadora e sublime está acontecendo com as câmeras que vai complicar tudo o que sabemos sobre fotos. As câmeras agora tem cérebros. Até a poucos anos, quase todos as câmeras – de smartphones ou não, ou de circuito fechado de televisão para vigilância – eram como olhos sem nenhuma inteligência.

Elas capturavam qualquer coisa que você pusesse em frente delas, mas elas não tinham a mínima ideia do que elas estavam vendo. Mesmo os fatos mais básicos do mundo lhe escapavam. É louco, por exemplo, que em 2018, seu smartphone não detecte automaticamente quando você tira uma foto de você nua e ofereça a opção de armazená-la numa super especial uma camada extra de segurança.

Mas tudo isso está mudando. Está chegando uma nova geração de câmeras que entendem o que elas veem. Elas tem olhos conectados com o cérebro, são máquinas que não apenas veem o que você põe na frente delas, mas podem tomar decisões sobre o que veem – criando possibilidades intrigantes e, algumas vezes, inquietantes.

No início, essas câmeras nos prometem tirar fotos melhores, capturar momentos que seriam impossíveis com as câmeras burras de antigamente. Esse é o pitch (argumento de venda) que a Google está fazendo com a Clips, uma nova câmera que começou a ser vendida nesta quinta feira (2 março). Ela usa machine learning* (aprendizagem automática) para tirar automaticamente fotos de pessoas, pets e outras coisas que ela achar interessante.

Outras estão usando Inteligência Artificial (IA) para fazer com que as câmeras sejam mais úteis. Você já ouviu falar que o novo iPhone da Apple usa reconhecimento facial para desbloquear seu iPhone. A startup Lighthouse AI quer fazer algo similar para sua casa, usando uma câmera de segurança que adiciona uma camada de inteligência visual às imagens que ela vê. Quando você instala a câmera na entrada de sua casa, ela pode analisar constantemente a cena, alertando você se o passeador do seu cão não voltou, ou se as suas crianças ainda não chegaram em casa depois da escola, na hora prevista.

Nem precisamos ir longe para imaginar as possibilidades úteis e assustadoras de câmeras que podem decifrar o mundo. As Câmeras Digitais trouxeram uma revolução para a fotografia, mas até o momento, era só uma revolução de escala: graças ao microchips, as câmeras ficaram menores e mais baratas, e começamos a carregá-las o tempo todo.

Agora, a Inteligência Artificial (IA) vai criar a revolução de como as câmeras funcionam, também. Câmeras inteligentes deixam você analisar fotos com precisão inconteste, aumentando o espectro de um novo tipo de vigilância  — não apenas pelo governo, mas por todos a sua volta, até os seus entes mais queridos dentro de casa.

As empresas que fabricam esses equipamentos estão cientes dos perigos de privacidade. Muitos estão entrando no mercado cautelosamente, espalhando seus produtos com salvaguardas que eles dizem reduzir o nível de horror.

Veja a Clips do Google, que usei nestes últimos 10 dias. É um dos equipamentos mais inusitados que já vi. A câmera é do tamanho de uma latinha de Altoids, sem nenhuma tela. Na parte da frente tem uma lente e um botão. O botão tira a foto, mas só está ali se você realmente precisar dele.

Na realidade, na maior parte do tempo, você confia na intuição da câmera, que foi treinada para reconhecer expressões faciais, luz, enquadramento e outras qualidades de uma foto bem feita. Ela também reconhece rostos familiares – as pessoas com quem você passa mais tempo são aquelas que ela julga serem as mais interessantes para serem fotografadas.

A Clips, que está sendo vendida por US$ 249 (R$ 850) transforma o ato de tirar fotos em algo inconsciente e invisível. Fácil de carregar, tem um clip que se adapta em suas roupas, na mesa, na palma de sua mão ou qualquer lugar com uma vista.

Daí pra frente, fica por conta da Inteligência Artificial.

A Clips fica observando a cena e quando vê algo que acha que vai dar numa boa foto, ela captura uma foto de 15 segundos (burst picture), algo como um GIF animado, ou a Live Photo do iPhone.

Viajei com a minha família para a Disneylândia, na semana passada, e durante 2 dias eu quase nem tirei uma foto (com tanto para ser fotografado!). Em compensação, esse trequinho automaticamente capturou mais de 200 fotos (clips) de nossas férias.

Algumas delas ficaram muito boas, pegaram os pontos altos de nossa viagem do mesmo jeito que eu teria tirado com o meu celular. Mas o interessante mesmo foi tudo que eu não teria capturado conscientemente.

A Clips pegou momentos das minhas crianças distraídas, se divertindo, brigando nas filas intermináveis da Disney, dançando como loucos  — momentos super espontâneos ou insignificantes para que eu apontasse a câmera, mas que provavelmente registrou nossas vidas de forma mais fidedigna para daqui a 30 anos.

Leitores habituais desta coluna sabem que capturar momentos da infância de minhas crianças é uma das minhas grandes ansiedades; eu até instalei minha câmeras pela casa toda para guardar um tipo de reality show da vida em minha casa. Mas você não precisa ser tão louco como eu  — de ter medo de perder o que suas crianças ou seus pets estão fazendo constantemente, mas que seu smartphones geralmente não registra. Uma câmera inteligente pega todo esse tempo porque não te faz perder esse momento para capturá-lo. Mas, obviamente, que deixar ali uma câmera que não tem que torar fotos específicas, é um problema e levanta a lebre de ser espionado  — tanto pela Google, ou por você, para espionar os outros.

Google trata essa questão de 2 formas. A câmera está na maior parte do tempo desconectada da internet. Não precisa estar conectada para tirar fotos, e você precisa de seu celular para ver ou salvar as fotos. Mais ainda, tudo que acontece com a IA precisa rola na câmera, você nem precisa ter uma conta Google, diz a empresa.

“Gastamos muito tempo pensando no tema da privacidade para ter a certeza que esse seria um equipamento que as pessoas gostariam de ter,” disse Eva Snee, que chefia a pesquisa Google sobre como as pessoas interagem com a Clips. “O que a gente aprendeu, é que as câmeras não assustam as pessoas quando elas são usadas deliberadamente e a pessoa é parte do processo.”

A presença da Clips traz à memória outros produtos na mesma vibe, como o Snap’s Spectacles e o Google Glass, que também não conseguiram fazer com que os consumidores usassem óculos para tirar fotos.

Para fugir disso, a Clips foi desenhada para se parecer com uma câmera. Quando está ligada, um LED branco pisca dando o sinal de que pode estar gravando. Ela tampouco grava áudios, porque aí sim pareceria uma câmera-espiã.

A câmera Lighthouse, que eu também usei por algumas semanas, foi feita para ser uma versão melhor das câmeras de segurança interna interconectadas, que se tornaram tão populares. Esses equipamentos são muito chatos porque eles disparam toda vez que percebem algum momento.

O truque especial da Lighthouse é o sistema da câmera que pode sentir (identificar) espaços 3D e aprender e reconhecer faces  — uma  inteligência pensada para evitar alarmes falsos. Ela também tem uma sofisticada interface de linguagem, para que você possa fazer perguntar naturalmente: “O que as crianças fizeram enquanto eu estava fora?” Ela vai mostrar vídeos (clips) de suas crianças enquanto você estava fora.

A câmera Lighthouse está à venda por US$299, (R$ 1.020) requer uma assinatura mensal de US$10, e passa a sensação de um projeto em andamento (work in progress). Ela foi mais precisa em diferenciar as pessoas na minha casa, mas também se enganou com um desses balões metálicos, que estava flutuando no meu quarto, pensando que era um intruso.

A empresa é jovem e aposta na melhoria de seu software. Consigo ver uma utilização genuína para as pessoas que querem saber o que se passa em suas casas quando elas estão fora. Quer saber se o seu cachorro está pulando no seu sofá? Pergunte pra Lighthouse; ela pode reconhecer cachorros pulando pelos sofás da casa e instantaneamente lhe mostrar um vídeo.

Mas e se você estiver preocupado com a sua mulher, e não o seu pet? Eu confio na minha mulher, mas por uma questão de clareza desta coluna, eu pedi para a câmera me mostrar qualquer vídeo de minha mulher com alguém estranho. E ela me enviou minha mulher numa noite com a baby sitter, que a Lighthouse nunca tinha visto antes. Foi um caso flagrante de espionagem em minha família. Mas é uma possibilidade óbvia com uma câmera que entende o mundo tão bem.

O presidente da Lighthouse, Alex Teichman, disse que poderia adicionar salvaguardas contra essa espionagem intrafamiliar, por exemplo, ao restringir a identificação facial apenas à rostos não reconhecíveis. Ele também apontou que o sistema tem vários tipos de sofisticados de controle de privacidade que permite que qualquer gravação seja desligada quando certo membros da família estão presentes.

Tanto a Lighthouse como a Clips são muito bem trabalhadas contra o fraude. Note-se que nenhuma delas permite mais espionagem do que você já pode fazer com seus smartphones. A vigilância social constante é a norma em 2018.

Mas elas são guias para o futuro. Amanhã, todas as câmeras terão suas capacidades. E elas não irão apenas observar você – elas vão entendê-lo. 

 

NOTAS:

Foto: Doug Chayka/The New York Times

Artigo do New York Times por Farhad Manjoo

 


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