A Mala do Futuro é uma Mala? — Beia Carvalho — Palestras

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26 de março de 2018

A Mala do Futuro é uma Mala?

A Roda surge no período Neolítico, a Idade da Pedra Polida, no 4º século antes de Cristo

Aqui e ali, há mais de 5.000 anos surgiu a roda. Cinco mil anos!

A história da humanidade bem rapidinho

De lá pra cá muita coisa foi feita para usar uma, duas, quatro ou cinco rodas.

Mas é quase inacreditável pensar que até 50 anos atrás estávamos nos digladiando para carregar nossas (pesadas) malas. Eu sofri muito. Sou daquelas fracotes, sem força para pesos ou para abrir vidros de geleia. Aplaudi de pé a chegada das malas com rodinhas.

Comercial da Bluesmart sobre a Evolução das Malas: tem localizador, carregador de baterias USB, cadeado digital, balança integrada, alertas de distâncias, itinerários de viagem, status de viagem

A inovação reverenciada por viajantes do mundo todo é de 1972! Pensa nisso: o homem foi pra lua antes de deslizar uma mala pelos corredores de um aeroporto!

E no ano seguinte, surgiu a cadeira de escritórios com rodinhas, de 1973. Dizem que Charles Darwin, há mais de 150 anos, colocou rodinhas em sua poltrona para ganhar mais mobilidade. Mas a “inovação” morreu com o gênio.

Meu amigo Edu Freire testando a Mala Patinete

Meu amigo Eduardo Freire, um peso pesado em todos os sentidos, postou outro dia sua estripulia de usar sua mala como patinete. A cena me fez pensar como conseguimos conviver com a inconveniência e o desconforto, que malas sem rodinhas nos impuseram por séculos!

E me levou à pergunta: Por que as malas não sofreram nenhuma inovação? Sim, mudamos um pouquinho aqui e ali, basicamente experimentando materiais, de plástico duro ou tecidos leves de nylon a fibras de carbono.

O anúncio mostra as viagens em alto estilo nos anos 1960. Na real, ou você perdia a elegância arrastando sua própria mala ou pagava a máfia de carregadores.
Que malas vamos levar na viagem para Marte? Assim viajávamos nos anos 1960

Pouca inovação e muita maquiagem não foram privilégios das bagagens. Ironicamente, é o cenário mais comum em um mundo desesperado por inovação. Raro assistir a algo que infrinja uma ação diretamente no coração de produtos e serviços.

E pensa que foi fácil convencer as empresas a comprarem e as pessoas a usarem a maravilha de uma mala que rola? Não foi, não! Que diga seu inventor, Bernard Sadow, então vice presidente de uma fábrica de malas, a US Luggage, que colocou a patente das 2 rodinhas, em 1970. E só viu a coisa fluir mais de 2 anos depois.

A mala com rodinhas é uma inovação por combinações inovadoras. Este é um dos 3 tipos de inovação, que discorro em minhas palestras. Bernard não inventou as rodinhas, nem a mala. “Só” combinou as 2 coisas. Como quem combinou um relógio com um alarme e fez o despertador. Mas como fazer combinações inovadoras?

Pra começar, diz o mestre Einstein, imaginar é mais importante que conhecer. Tudo começa aí, não ter medo de imaginar. É disparar um novo olhar, um olhar fresco, um olhar de olhos que querem enxergar.

Bernard, que convivia com malas em seu trabalho, um dia olha um carregador empurrando uma máquina pesadíssima sem fazer esforço algum, auxiliado por plano com rodinhas. Milhares de pessoas viram a mesma cena muito antes daquele dia e naquele dia. A diferença é que Bernard olha, vê e enxerga. “É disso que as malas precisam”, disse a sua mulher.

Uma receitinha de inovação. Não, não é fácil, não.

Bernard chega em casa, arranca os rodízios de um baú e os coloca numa mala bem grande. Daí, amarra uma alça na frente da mala e puxa. “Funcionou!“.

Prototipar é uma fase da maior importância no processo de inovar – ironicamente uma das mais negligenciadas. Nascia uma inovação, que iria se massificar depois de muita ralação a partir da aceitação da poderosa loja de departamentos Macy’s com o anúncio “A Mala que Patina“.

Em 1987, o piloto de aviação Robert Plath inventa a Rollaboard: 4 rodinhas, alça retrátil deslizando de pé. E assim, a mala de 4 rodinhas enterra a super inovação de Bernard Sadow, que demorou tanto tempo para acontecer e reinou sozinha por apenas 15 anos.

O que não vemos? Vídeo completo da Palestra Integrutopia

Ao final do ano passado, palestrei sobre um novo tema Integrutopia, e perguntava à plateia: “O que não vemos?”. Por que por tanto tempo não vimos as rodinhas em cadeiras e malas? O que estamos deixando de ver hoje?

É interessante notar que uma vez “destapada” a tampa da inovação ela parece se mover com uma nova e turbinada força. De 1972 até hoje, os pequenos incrementos e as inovações não cessaram. A mala-patinete, a mala que vira cadeira ou mesinha para o laptop, a que não amassa sua roupa, a que carrega seu celular e a Mala Inteligente: aquela que te segue.

A mala que te segue.

Mas qual será o papel dos wearables nas bagagens de viagens? Vamos teletransportar nossas coisinhas? Ou vamos carregar o que é realmente pessoal em um casaco com 26 bolsos e alugar tudo o que precisamos no local de chegada? Qual é o próximo passo?

A mala-jaqueta da SCOTTeVEST, na categoria das roupas tecnológicas.

Num mundo tecnológico e globalizado e preocupado com a pegada de carbono seria de se esperar que as pessoas não precisassem viajar tanto.

Não é o que acontece. O fenômeno da mobilidade mundial começou no início do século passado e parece ter um fôlego inesgotável.

Está aí um campo que vai precisar muito da sua imaginação. Afinal, que malas vamos levar na viagem espacial para Marte?

NOTAS:

Bernard D. Sadow comprou a empresa US Luggage. Morreu em 2011 aos 86 anos.

Charles Darwin (1809-1882), naturalista inglês que desenvolveu a teoria da evolução a partir da seleção natural em seu livro “A Origem das Espécies”, de 1859.

Rolling Luggage: patente número 3.653.474, United States, 1970.

Surgimento dos veículos com rodas: https://pt.wikipedia.org/wiki/Roda

Cadeira Synthesis 45 produzida pela Olivetti, em 1973, ergonômica, e encosto com 2 articulações.

Aeron chair, 1992, desenhada por Don Chadwick e Bill Stumpf e produzida por Herman Miller.

What came first? Wheeled luggage or a man on the moon?https://betafactory.com/what-came-first-wheeled-luggage-or-a-man-on-the-moon-20f8b22529a3

A mala Bluesmart tem localizador, carregador de baterias USB, cadeado digital, balança integrada, alertas de distâncias, itinerários de viagem, status de viagem etc.

Eduardo Freire é CEO e co-fundador da Framework: Consultoria e Projetos de Educação e Inovação.

Reinventing the Suitcase by Adding the Wheel: https://www.nytimes.com/2010/10/05/business/05road.html

 

 

 

A História da Roda.

Comentários


  1. É interessantíssima esta sacada da união de pontos e ideias dando nova funcionalidade. Me faz pensar sobre a ponte entre o consciente e o inconsciente que tantos mestres da psicologia discutem com suas diferentes teorias. Mas então, sonhar (inconsciente) e dar função em nosso consciente (simbologia e significação) deve ser um trajeto mais facilitado por nós mesmos? Assim seremos mais inovadores? Fantástico, Beia !

    26 de março de 2018, 16:11
    By: Franco Almada


  2. Uma orientacao e ajuda.

    26 de março de 2018, 21:03
    By: Ronaldo de souza lima I Link


  3. Você pode ouvir este artigo "A Mala do Futuro é uma Mala?" no meu Canal SoundCloud de podcast: . Ouça aqui: https://soundcloud.com/user-913079542/beia-carvalho-e-a-mala-do-futuro . Meu Canal: https://soundcloud.com/user-913079542 . Ou no iTunes: https://itunes.apple.com/br/podcast/beia-carvalho-e-a-mala-do-futuro/id1355489925

    26 de março de 2018, 21:14
    By: beia


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